29 de dez de 2006

Fim de ano

Tempo de novo passando,
sempre passa,
mas no fim do ano fica mais visível.
Ciclos.
Natal, reveillon, carnaval, semana santa, festa junina, aniversário, outro feriado etc sempre igual.
A gente muda, eu sei.
Normalmente melhor por fora,
pior por dentro.
Ou o contrário, mas é exceção.
Eu mudei assim: mais magra e mais triste-cansada.
Cansada-triste.
Pequenas alegrias satisfazem.
Quem não foi ao fundo do poço não sabe
o que é verdadeiramente uma alegria química.
Os paraísos artificiais de Baudelaire.
O tempo passa diferente nesses momentos.
Não me importam os seus ponteiros,
fico esperta.
Mais dia menos dia dou-lhe uma rasteira.
Ele não perde por esperar.


mrs. mojo rising

Coração e outros assuntos supérfluos

Perto demais do coração, ele estava. Do meu. Antes eu não fugiria, nem tentaria, mas hoje... Olho a baía de Guanabara pela janela, lá em cima do morro um bondinho, morro de medo de altura. (Morro substantivo, morro verbo. Bacana essa língua portuguesa. Bacana existirem as palavras, não sei o que eu faria sem elas.) Acho que tenho vertigem, porque sinto vontade de me jogar quando estou em lugar alto. Vertigem não é isso? A baía de Guanabara, vista assim de longe, filtrada por uma janela e pela distância, fica linda, linda. Não que seja feia de perto, mas suja. E fedida. O bom é que não sinto cheiro. Rinite e outras coisas. Há um lado muito bom mesmo, porque a maior parte da cidade fede. As pessoas fedem também, mas é um outro tipo de fedor. É por dentro. E esse tipo eu sinto mais facilmente. Não tanto, mas estou aprendendo. Não que eu queira, mas é preciso. Como é preciso ficar atenta à aproximação dele. Perto demais do coração.

clarissa

7 de dez de 2006

Aquilo de novo?

E depois de tanto tempo, percebo que ainda persiste. Como podem conviver coragem e medo? Mas é o que digo. Andam juntos por aqui os dois sentimentos. Vai fazer um ano desde que morri e ressuscitei. Não queria escrever sobre isso, jurei para mim mesma não tocar no assunto nem em pensamento, mas a jura se perdeu entre uma lembrança e uma fisgada, numa combinação relâmpago-trovão, uma relação de causa e efeito.

Sei do mal e do bem que tudo isso me fez. Do mal, desnecessário falar. Do bem, é similar a quando eu tinha 12 anos e coloquei os óculos com dois graus de miopia pela primeira vez. O mundo é diferente. Sim, o mundo é mesmo muito diferente. Antes dos 12, era mais embaçado. Antes dos 28, mais bonito. Mas a questão é: depois dos 12 ficou mais nítido; depois dos 28, mais real.

Eu teria milhares de outras coisas para escrever sobre este tema, mas vou aproveitar o sono e fugir. Medo? Não sei. Acho que agora é coragem. Coragem de não mexer tanto na ferida e, assim, não sofrer por algo que, na verdade, não faz mais diferença, que é menor do que a melancolia parece mostrar, mais insignificante do que a paranóia sugere, mais bem do que mal, no fim das contas onde dois mais dois são quatro, sim.


mrs. mojo rising